Artigos › 12/04/2018

Religiosidade mentirosa

Nem sempre a aparência e a manifestação de religiosidade mostram a verdade da pessoa. O próprio Jesus reprovou pessoas que apresentavam ser verdadeiras, até no ato de louvar a Deus, mas com o coração cheio de falsidade. Ele até falou que se devia seguir o que muitos diziam mas não a sua conduta. Muitas vezes não é fácil discernir quem fala a verdade mas seu comportamento é o contrário do que dizem.

No ano eleitoral precisamos ter todo o cuidado para não nos deixarmos enganar por pessoas corruptas que se apresentam com peles de ovelhas, prometendo, enganando  e falando mentiras. O voto mal dado tem consequências danosas à sociedade. Pode alguém ser beneficiada por quem compra seu voto com doação ou promessa de benefícios e até cargos em governos.  Quem vende o voto é tão corrupto como quem o compra. É melhor renunciar um pouco ou até muito de benefício material e social  mas ter grandeza de dignidade de caráter, contribuindo com o bem da sociedade!

O apóstolo João diz categoricamente: “Quem diz: Eu conheço a Deus, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele” (1 João 2,4). Muitos manifestam religiosidade mentirosa, enquanto se apresentam como pessoas boas, mas, na realidade, não são nada daquilo que aparentam ser e enganam os outros, até usando a religiosidade mentirosa para enganar certos eleitores!  Dizer e não fazer é menos honrado do que até não dizer e fazer, como o rapaz que disse ao pai que não iria fazer a vontade dele, mas acabou fazendo, conforme lembra Jesus.  Precisamos sempre de pessoas de atitudes positivas de assumirem causas de serviço ao bem comum, superando os próprios interesses pessoais. Quem se apresenta à eleição de cargos públicos deve ter a honradez de caráter para assumir seus cargos como verdadeira missão de servir. Se tivéssemos salários menores para determinados cargos no executivo, no legislativo e no judiciário, teríamos menos candidatos, mas com verdadeiro ideal de servir!

A coerência entre o enunciado e a prática da fé é indispensável para a pessoa ter credibilidade até na comunidade religiosa. Quem usa a fé  vivida de verdade para servir a coletividade com seu cargo na sociedade civil e nas instituições particulares, tem maior respeito de todos e presta real serviço, a partir da convicção de sua fé. É bonito ver pessoas que são eleitas e honram sua fé na ação de realmente prestar grande contribuição de benefício ao bem comum! Precisamos incentivar boas pessoas de nossas comunidades religiosas que têm perfil e preparação para assumirem cargos públicos, ajudando a mudar a má para a  boa política. Leigos e leigas têm também essa importante missão. A jerarquia da Igreja tem o papel de promover a consciência política ampla, de serviço ao bem comum a toda a sociedade. Compete aos leigos e leigas a função de promover a política partidária com os critérios humanos e cristãos para o real benefício da sociedade, a partir dos mais carentes!

Por Dom José Alberto Moura – Arcebispo de Montes Claros (MG)

Imprimir

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.