Notícias › 08/08/2019

Novos bispos falam das primeiras experiências nas dioceses e sobre curso oferecido pela CNBB

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A história do povo de Deus, dos profetas, do nascimento de Jesus e dos que seguiram depois de sua vinda, é marcada pelo sim, pela coragem de assumir a missão confiada por Deus. Da mesma forma, entre os presbíteros são escolhidos os novos bispos que irão compor o colégio episcopal da Igreja, assumindo o pastoreio de uma determinada Igreja particular.

Alguns dos bispos participantes da 30ª edição do Cursos para novos bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) partilham um pouco dos primeiros momentos após a experiência de assumir o mandato e o poder de ensinar, de santificar e de apascentar.

Alegria e graça

Ordenado no dia 19 de março deste ano, o novo bispo de Apucarana (PR), dom Carlos José de Oliveira, conta que os últimos meses foram de alegria, “pela acolhida maravilhosa do nosso povo, do clero da diocese de Apucarana, alegria de, a cada dia, descobrir uma nova realidade”. Mas também recordou os desafios, nos quais também se manifesta a alegria, por “perceber o comprometimento dos padres e dos leigos com a caminhada da diocese”.

Dom José Francisco Rodrigues do Rêgo, bispo eleito para a diocese de Ipameri (GO) e ordenado no último domingo, 4 de agosto, considera ser motivo de graça para as Igrejas particulares de Uruaçu (GO) e Ipameri terem, respectivamente, ordenado mais um bispo e ganhado o novo bispo. Dom José Francisco também ressalta a graça para a Igreja como um todo, “porque o bispo é ordenado para a Igreja, para o serviço, para ser seu primeiro servidor”.

Acolhida

Dom José Francisco do Rêgo conta que teve uma acolhida especial após a sua nomeação, em 15 de maio deste ano. Durante retiro do clero de Uruaçu em Ipameri, teve a “a alegria de poder conhecer e fui muito bem recebido, muito bem acolhido por todos os padres, tanto diocesanos, como religiosos que ali trabalham. Foi uma experiência muito bonita de acolhida, de eclesialidade, é como ‘aquele que é enviado por Deus é acolhido como realmente um enviado’, assim que me senti naquela experiência”.

“Sabemos muito bem que na Igreja o povo não escolhe seus ministros, Deus que envia seus ministros e são acolhidos com fé. Por isso, [a experiência] tem sido tão boa até aqui, tenho experimentado a graça desse acolhimento da diocese de Ipameri. Inclusive na minha ordenação, muita gente se fez presente, não só da parte do clero, como do povo da nossa comunidade diocesana de Ipameri”, recorda dom José.

Fronteira

Dom João Aparecido Bergamasco já atuava no Mato Grosso do Sul quando ainda era padre, em Fátima do Sul (MS), na diocese de Dourados (MS). Mas foi nomeado para o outro extremo do estado, na região do pantanal sul mato-grossense, na fronteira com a Bolívia. Há quase cinco meses na diocese, manifestou-se contente pela oportunidade de celebrar em muitas comunidades, por ter “marcado presença em diversas paróquias, juntamente à Marinha, do Exército” (forças armadas presentes na região) e também realizado já as grandes celebrações com clero, na Quinta-feira Santa, celebrado as Crismas, momentos de festa do padroeiro tanto de comunidades, como da matriz, um momento de intenso contato com o povo daquela diocese.

Dom João Aparecido também teve a oportunidade de conhecer a riqueza cultural e religiosa da região e os desafios, como o sincretismo religioso, as realidades de fronteira como mobilidade humana, tráfico de pessoas, turismo sexual, além das dificuldades econômicas e sociais. Junto com o clero, o novo bispo está “buscando os caminhos para a evangelização”.

Quem também salienta riqueza e desafios nos primeiros meses de pastoreio é dom Walter Jorge Pinto, bispo de União da Vitória (PR). Para ele, a experiência tem sido rica “porque a gente vai percebendo a beleza da diocese, do povo que está ali reunido, que existe ali com toda a sua diversidade, toda a sua pluralidade e vivacidade”. Já a parte desafiadora deve-se à percepção de que “há muito o que fazer, há muito que organizar, há muito que motivar”, observa ao recordar o falecimento do seu predecessor, dom Agenor Girardi, em fevereiro do ano passado: “um processo doloroso que foi se prolongando, que contribuiu para que a diocese se enfraquecesse em muitos aspectos. Então temos agora muito trabalho árduo para frente”.

Curso para novos bispos

O curso para novos bispos promovido pela Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB é uma das principais oportunidades para que os bispos nomeados e ordenados recentemente aprofundem mais a respeito da missão confiada a eles.

Para dom Carlos José de Oliveira, uma alegria conhecer toda a estrutura aqui da CNBB, “que existe em função da nossa missão episcopal”, além da alegria de conhecer “mais de perto tantos irmãos também nomeados recentemente”. O bispo de Apucarana define este momento como uma fase de descobrimento, de descoberta do novo que Deus oferece: “É claro que o sentimento do medo, do temor também fazem parte diante dessa nova realidade que o Senhor nos pede. Então é este misto de uma situação de descoberta, que te traz alegria e também o medo diante da responsabilidade. Mas, além da alegria e do medo, a fé é que nos mantém”.

Falando da chegada em breve à diocese de Ipameri, dom José Francisco cita a abertura para aprender, tendo Cristo como centro, “respeitando toda a história de caminhada diocesana, poder dar continuidade segundo a ação do mesmo Espírito”.

Dom José Francisco do Rêgo considera uma graça poder participar da formação na sequência de sua ordenação episcopal: “Não sei de nada, então é importante que eu não me furte essa oportunidade que me é dada para aproveitar e compreender melhor a missão do bispo”.

Para dom João Aparecido Bergamasco, a partilha durante o curso os “ajuda muito, porque cada um também partilha as suas dificuldades, expectativas, esperanças, mas também os desafios que estão enfrentando”. O bispo de Corumbá também ressalta as reflexões favorecidas pelos assessores do encontro, as quais contribuem para “iluminar a nossa missão”. O bispo também recordou sua participação na última Assembleia Geral da CNBB e o contato com os bispos do regional a partir das comissões episcopais regionais como positivos para o ministério.

Dom Walter Jorge avalia que o curso já é preparado para responder aos questionamentos que os bispos possuem no início de seu ministério diante dos desafios: “Eu estou vendo com muita propriedade, estou achando tudo muito adequado, estou vendo com muita gratidão”.

Via CNBB

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